quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Rua, Chuva e Cães Vadios (ou dezembro de 2003)

meus pensamentos se chocam contra o chão ao amanhecer
como a chuva, daquelas que matam gente e afogam cachorros
minhas penas são almas de cachorros mortos
e se você pudesse olhar dentro dos meus ossos amarelos
se pudesse cheirar a paisagem presa em meus cabelos
você poderia ser a poeira que queima meus olhos

e tudo que cresce ao vento é minha alma de idiota
e desbota as roupas nos varais
e se junta ao nada que todo dia cospe em sua rua

eu sei oque eu quero
eu sei oque eu sou
eu sei como eu acabo

eu acabo na sarjeta em frente ao bar
e espero chover pra ser o céu
refletido em mim num dia sem vento.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Eu acordei e o mundo era São Paulo
Numa segunda-feiraAntes do Sol
Antes de todas as coisas-segunda-feira
Eu toquei o mundo com a ponta de um pé

Dei dois passos rumo a rua
Antes das luzes se apagarem
Enquanto a maioria dos mendigos dormia

E segui com o gosto de vinho na garganta
Com os lábios colados pelo frio
Sem saber o motivo da maioria das coisas
Fazendo o velho caminho de volta.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O tempo beijou meu rosto com sua lingua de areia
Cego e bêbado cambaleou entre os telhados vizinhos e se foi
levando todos os ponteiros de relógio e todos os dias
colados num calendário velho com números sem sentido.

Sou eu sentado olhando para o céu que nunca acaba
só troca de cores devagar... e é tão bonito
Tão triste e solitário.

Como Deus que não recebe visitas
que não toma vinho com os amigos
que de saudades chora baixinho no cair da noite.
Estrelas cadentes em sonhos cheios de nuvens e tédio.

E o tempo levou as pessoas e as coisas se quebraram
E as ruas ficaram desertas, soprando silêncio e folhas secas.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Sem Título

E o velho com seus dedos frios
Cortou a lua em duas
E me deu a parte mais afiada
Com a qual abri o pano da noite
E te mostrei minha alma estrelada
E meu corpo feito em tiras
de carne e anos perdidos
de versos tatuados com sangue
de mapas feitos de finas veias azuis

É tudo que restou da lua...
Feita em pedaços cortantes
Colados em meus olhos pretos
Abertos o tempo todo.